Qualidade
Curiosidade e Criatividade
“Quando se deixou de fazer perguntas que abrissem caminho”
“Quando ninguém consegue dizer "não sei"”
A curiosidade não é uma qualidade decorativa. É o motor que mantém uma organização atenta ao que está a mudar, dentro e fora dela. Quando se apaga, o que fica é gestão de rotina: boa para manter o comboio a andar, inútil para mudar de direcção.
E a curiosidade raramente morre de morte natural: extingue-se. Como o fogo, precisa de três elementos: uma inquietação que a acenda, humildade para admitir o que não se sabe, confiança para o expor sem risco de troça ou retaliação. Muitas organizações juram valorizá-la: dão a faísca e os recursos, mas retiram o oxigénio. Ficam equipas cheias de certezas. E a certeza é estática, fecha perguntas; a compreensão é dinâmica, multiplica-as.
Criatividade, para nós, não se traduz em "sessões de brainstorming". É a disposição para experimentar o que ainda não foi feito, aceitar o que se aprende no caminho, e fazer diferente. Começa com a capacidade de fazer perguntas que não têm resposta imediata, de pensar o que não se ousou ou experimentou pensar.
Uma organização que não faz perguntas já decidiu que não quer aprender.
Nível 1
Provocar
Sessão que recupera a curiosidade como prática profissional. Exercícios que mostram como as perguntas certas valem mais do que as respostas rápidas, e que expõem os extintores habituais: a troça, a autoridade, a pressa. Desconfortável para quem está habituado a "resolver".
Celfocus, Mastering Leadership Journey, 2026
Sessão sobre curiosidade e criatividade num programa plurianual de liderança co-desenhado connosco, o Mastering Leadership Journey. Perguntas em rotação, em que cada pessoa responde à pergunta do outro como se fosse sua; o mapa das zonas de conforto e desconforto; e um inventário honesto dos inimigos da curiosidade: não dizer "não sei", julgar tudo, querer tudo resolvido.
Nível 2
Desenvolver
Programa que instala a curiosidade como hábito de equipa. Práticas de questionamento, experimentação segura, aprendizagem a partir do erro. O objectivo não é o entusiasmo de um dia: é combustão lenta, perguntas que se sustentam no tempo sem se esgotarem na primeira resposta. Trata a criatividade como postura quotidiana, e não como evento pontual.
EDP Soluções Comerciais
Programa de seis meses com doze novos líderes: entrevistas, reflexão escrita, workshops e acompanhamento individual. No fecho, em vez de relatório, a turma criou um jornal digital e apresentou-o à administração. Anos depois, o programa ainda é falado na empresa.
Nível 3
Transformar
Quando a organização precisa de criar uma cultura de experimentação. Os sistemas ansiosos tornam-se rígidos: em modo de sobrevivência, ninguém se dá ao luxo de perguntar: exige-se a certeza imediata, mesmo quando está errada. Intervenção que trabalha a curiosidade como valor organizacional: tolerância ao erro, aprendizagem contínua, inovação como prática e não como departamento.
Adagietto, desde 2017
Quando mudou de CEO, a agência pôs-se inteira em causa: toda a equipa participou na desconstrução e na reconstrução da identidade e da estratégia. Mudaram o posicionamento, a imagem, as instalações e a organização interna. A agência continua a reinventar-se até hoje: sinal de que as perguntas não se esgotaram.