Qualidade
Escuta
“Quando ninguém ouve ninguém”
“Quando se ouvem coisas diferentes das que são ditas”
Escutar não é o mesmo que ouvir. Ouvir é fisiológico: os sons chegam ao ouvido. Escutar é uma escolha, e no fundo uma qualidade ética: suspender o que se ia dizer a seguir, ficar com a frase do outro mais tempo do que é confortável, esperar até perceber o que está a ser dito antes de decidir o que fazer com isso. Não é possível não escutar. Apenas é possível não nos interessarmos.
Onde há escuta genuína, o resto muda. O silêncio deixa de ser vazio: entre duas pessoas que se escutam, nunca é mudo. As conversas difíceis ficam possíveis. As decisões ganham outro peso. E começa a ouvir-se o que não está a ser dito, que é quase sempre o que mais importa.
A maior parte do que parece falta de comunicação é falta de escuta.
Nível 1
Provocar
Duas a quatro horas para uma equipa descobrir, na prática, a diferença entre ouvir e escutar. Sem apresentações. Exercícios que revelam padrões invisíveis: quem fala mais, quem interrompe, quem está a preparar a própria resposta enquanto o outro ainda fala.
Academia VdA, 2025
Sessão com advogados sobre "escuta como edição", a diferença entre aceitar tudo ao mesmo nível e ajudar a pessoa a identificar o essencial. No fim, a descoberta: escutar bem não é aceitar tudo. É fazer as perguntas certas para que o outro se ouça a si próprio.
Nível 2
Desenvolver
Dois a três meses para que a escuta deixe de ser exercício e passe a ser postura. Treino em sala, prática entre sessões, acompanhamento. Inclui trabalho sobre perguntas, silêncio, a escuta da própria escuta, e atenção ao que não está a ser dito.
PwC, 2018-2019
Programa de mentoring: 30 managers formados em escuta activa e feedback, com acompanhamento ao longo de um ano. Os mentores aprenderam a escutar sem tentar resolver, a fazer perguntas em vez de dar respostas, e a criar espaço para os mentorados encontrarem os próprios caminhos.
Nível 3
Transformar
Por vezes, as pessoas sabem escutar. É a cultura que não deixa. Um programa integrado que trata a escuta como qualidade organizacional — ligada à comunicação consciente, ao feedback, à metaconversação. Escutar torna-se parte da forma como a organização pensa, decide e aprende.
PLMJ, 2026
Programa para líderes da PLMJ, inspirado na metodologia dos "Grupos de Balint": ao longo do ano, criámos momentos de conversação em que os participantes trazem situações reais para serem pensadas com colegas da organização. Resolve situações concretas e, pelo caminho, treina a escuta, o feedback e o pensamento crítico.